Todos os Cantos 297
Mestres terapeutas
Livros são sempre presentes maravilhosos. Pelo menos para mim. Tempos atrás ganhei de Ana, minha mulher, um desses de lavar a alma. Foi sugestão de frei Vitório Mazzuco, que esteve em Mococa para um encontro da Ordem Terceira no Convento São José. Na época ele era editor da Vozes, a grande editora sediada em Petrópolis; hoje é Vice-provincial da Ordem Franciscana. Viera falar de espiritualidade e, também, de psicologia. E de como esses campos se interpenetram. É disso que trata o livro Terapeutas do Deserto, da aproximação das diversas tradições religiosas e sua integração com o conhecimento psicológico atual. Jean-Yves Leloup, um dos autores, chega a afirmar: “Não há oposição entre o conhecimento de si mesmo que a psicologia propõe e o conhecimento de si mesmo que a espiritualidade propõe”. O diálogo só pode ser fecundo. Leonardo Boff, co-autor do livro, fala de São Francisco. Na verdade Terapeutas do Deserto é resultado de um seminário da Universidade Holística Internacional em Brasília, organizado em 1996 como parte do curso de formação em psicologia transpessoal e holística. Instigantes os dois teólogos desafiam nossas certezas no terreno da espiritualidade propondo novas questões. Jean-Yves aborda aspectos essenciais das tradições budista e taoista cotejando-as com a psicologia analítica de Jung e a psicanálise de Freud. Mostra como é enriquecedora a integração dos diferentes níveis da experiência humana. Dedica um capítulo à sombra, aquela parte de nós mesmos negada e rejeitada pela consciência, reprimida por inaceitável. Remonta a Heráclito, um filósofo pré-socrático, que dizia: cada coisa se transforma em seu contrário. Um desejo intenso de ser bom e fazer o bem pode atrair exatamente o seu oposto. Ou, então, após uma explosão de cólera, a pessoa pode sentir uma grande ternura. Para Jean-Yves “aqueles que querem matar os diabinhos acabam por matar também o anjo”. A sombra, o lado negativo de cada um, não é para ser destruído, e sim integrado à personalidade do indivíduo. “Não há caminho para a luz que não faça a travessia da sombra”, conclui. Leonardo Boff relembra, a este respeito, que São Francisco se considerava um pecador mesquinho e vil; reconhecia sua sombra. Fazia das dimensões negativas caminhos de encontro com Deus. No capítulo sobre o discernimento Jean-Yves faz um alerta: “certas palavras que se atribuem a Deus vêm do mais profundo do homem”...”e quando lemos em um texto sagrado deve-se ler como uma palavra de Deus, mas não esquecer que este Deus nos fala através dos seres humanos, através da linguagem humana”. Esse modo relativo de olhar o absoluto conduz a uma atitude de equilíbrio e respeito, evitando os perigos do desprezo pelo outro, por um lado e da idolatria cega, por outro. Terapeutas do Deserto guia-nos por esta senda, a senda da fé preciosa. Paulo Palladini
Escrito por Paulo Palladini às 19h33
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Todos os Cantos 296
Caminhada
É começo do outono. A terra ainda está úmida das chuvas de verão. O ar já está mais frio. Os raios de sol chegam quentes. É uma clara manhã de sábado. Apesar de uma dor inoportuna no joelho direito, resolvo caminhar. Tomo a estrada. A vegetação é abundante: arbustos variados, flores do lado esquerdo; um bosque de eucaliptos do lado direito. Não ouço nenhum ruído humano, exceto aquele provocado pelos meus próprios passos e pela minha respiração. Mas um chiado contínuo me acompanha. Distingo nele alguns pios de pássaros, sons de grilos e cigarras, sons de vento nas folhas, que balançam. Um pequeno grilo salta ante minha aproximação. Passos- respiração. Abaixo-me para apanhar pinhas: três pinhas. Formas fugazes aparecem e somem em meio às folhas dos eucaliptos. Seu perfume invade minhas narinas; inspiro mais forte, faço uma respiração profunda. Como é bom! Sinto-me em paz comigo mesmo e com o universo. Nada sobra, nada falta. Tudo está em harmonia. Não há dor no meu joelho. Meus órgãos estão em silêncio. Nada necessito, nada desejo. Tudo é conforme. O perfume dos eucaliptos, ora misturado com o dos pinheiros, penetra pelas narinas, irradia-se. Imagens passam pelo meu cérebro. Os pensamentos são imagens subjetivas: uma conversa por celular com meu filho interrompida por causa da bateria... fragmentos de uma reunião sobre adolescentes dias atrás... o sorriso de minha mulher Ana... sua voz... galeria de imagens de vários pacientes, que atendi na semana ... o som do saxofone. Uma pequena pedra sob a sola do sapato faz tudo parar. e a atenção vai para ela. Sensação de choque sobe pela perna esquerda. Junto com um raio de sol por entre os troncos dos eucaliptos surge uma mancha vermelha. Tão rápida vem tão rápida vai. Paro diante de um tronco cortado; tem cerca de um metro de diâmetro. Observo sua superfície enegrecida, pergunto-me (mentalmente): porque uma árvore desse porte foi cortada. Vejo outras delas tombadas, menos imponentes. Restos de galhos ainda estão espalhados pelo chão. Agora tem um outro cheiro o ar: terra úmida. E tudo aparece marrom, as folhas estão secas e faz outro som, quando piso. Não mais arenoso, nem só de folhas; é mais compacto. Os raios que vêm dos pinheiros são diferentes, o verde está bem mais escuro. A estrada começa a fazer uma longa curva para a direita; não dá para ver muito mais adiante. Penso em voltar. Continuo andando. Vejo: a capa do livro que há pouco eu lia - As ilusões da liberdade - sobre a vida e a obra de Nina Rodrigues, trechos de um artigo sobre economia solidária, tipos gráficos aleatórios. O sol começa a arder na minha pele; levemente. As folhas das árvores balançam compassadas; o único movimento que percebo. Dou meia volta. Olho pra cima: duas volumosas nuvens, muito brancas, em alta velocidade, chocam-se, misturam-se, viram uma coisa só. Como é possível? Tapam o sol. Paulo Palladini
Escrito por Paulo Palladini às 19h30
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Todos os Cantos 295
Um artigo errado
Quero falar da publicação por Ferreira Gullar - o poeta de Poema Sujo e Dentro da Noite Veloz – de artigo sobre a reforma psiquiátrica em sua coluna na Folha de São Paulo. Ele tocou em ponto sensível da vida nacional, meio que negligenciada pela imprensa: a questão da loucura e dos cuidados que ela requer. Sob o título de Uma lei errada, Gullar atacou o movimento pela reforma psiquiátrica no Brasil, a Lei 10.216 de 2001 e seus desdobramentos. Como defensor e parte do movimento pela reforma, sinto que devo opinar. Faço aqui a defesa da reforma, pois ela, ao contrário do que afirma Gullar, transformou radicalmente o modelo anterior centrado no hospital psiquiátrico. O que tínhamos antes? Hospitais psiquiátricos, e só. Um modelo hospitalocêntrico. E a maioria desses hospitais não era pública, era formada de empresas privadas, que vendiam seus serviços para o Estado, em troca de lucro financeiro. Sua única razão de ser não era assistir, cuidar, mas obter lucros. Como o Estado restringia a margem de ganho das empresas, os lucros eram obtidos reduzindo-se despesas às custas dos doentes. Por isso os hospitais eram fechados, para que não se visse o que acontecia lá dentro. As famílias internavam seus doentes com a consciência de que faziam o melhor. Mas a regra era a segregação, o abandono, as más condições de higiene e alimentação, assistência de baixa qualidade. As famílias abandonavam sim seus doentes nos hospitais. Todo mundo que já trabalhou em locais como esses sabe disso. Quantas famílias só apareciam no dia da internação e sumiam!? Quantas não mudavam de endereço e não comunicavam o hospital!? Quantas não davam endereço falso!? Isso é amor? Censo feito no ano passado em São Paulo aponta a existência de mais de seis mil pessoas nessas condições, abandonados nos hospitais psiquiátricos. Se não tivesse um projeto para o seu resgate elas, muito simplesmente jamais sairiam do hospício. Como milhares de pessoas, que já morreram atrás de suas grades de ferro. Mas é que tem um projeto. A reforma psiquiátrica instituiu as residências terapêuticas para trazer de volta à vida social aqueles que haviam sido declarados socialmente mortos. Em Mococa temos quatro residências terapêuticas, e já nos candidatamos para montar mais duas e ajudar no esforço que governo de São Paulo e trabalhadores da saúde mental estão fazendo. Pois, depois da Lei 10.216 a questão da saúde mental é questão de Estado e os governos devem se comprometer. Da enxurrada de cartas que a Folha recebeu sobre o assunto e da reportagem publicada em 17 de abril, eu concluo que as maiores críticas não são à reforma em si, mas à não aplicação dos dispositivos legais em toda a sua extensão. A Lei não está errada; ela precisa ser aplicada de forma mais radical. Os Caps – Centros de Atenção Psicossocial - por exemplo, são estruturas fundamentais para efetivar a reforma e evitar a desassistência. Vários Estados brasileiros pouco avançaram nesse aspecto. Os Caps III, de maior porte, que funcionam de modo ininterrupto, 24 horas por dia, não existem em 16 deles. E mesmo em Estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro. A Lei prevê a substituição dos hospitais fechados por estas estruturas abertas, onde pacientes e familiares recebem atenção digna e correta. Junto com as residências, o programa de volta pra casa, oficinas de geração de renda, leitos e enfermarias de saúde mental em hospitais gerais, ambulatórios e apoio complementar de unidades básicas de saúde e programas de saúde da família eles formam uma rede eficaz na cobertura das demandas por cuidados psíquicos. Isso já é realidade em muitos municípios brasileiros. Sinto muito Ferreira Gullar. Paulo Palladini
Escrito por Paulo Palladini às 19h29
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Todos os Cantos 294
Cooperação e qualidade de vida
Um casal de argentinos, Herman e Candelaria Zapp, realizou um sonho da adolescência: eles saíram de Buenos Aires e foram dar na costa do Mar Ártico no Alasca, 70 mil quilômetros depois. Atravessaram todo o continente americano. A viagem foi feita de automóvel, um Graham Paige de 1928 e durou 3 anos e 7 meses. No meio do caminho a equipe aumentou com o nascimento do filho Nahuel Pampa. Durante o trajeto eles contaram com a solidariedade de milhares de pessoas, que adquiriram o livro de Herman, as pinturas de Candelaria ou, simplesmente, contribuíram como puderam. Em Greenboro, Carolina do norte, EUA, onde o menino nasceu, os moradores do lugar pagaram as despesas hospitalares. Ao final Herman declarou: “Realizamos nosso sonho graças a milhares de pessoas que nos abriram suas casas, nos deram comida e nos compraram o livro e as pinturas”. “Saímos para conhecer um continente maravilhoso, mas percebemos que o que o faz mais maravilhoso são suas pessoas”, completou Candelaria. Passaram por Chile, Bolívia, Peru, Equador, Brasil, Guiana, Venezuela, Colômbia, atravessaram a América Central, o México, os EUA, o Canadá e o Alasca. Toda uma região marcada pela violência cotidiana mostrada nos meios de comunicação de massa. E encontraram solidariedade por todos os cantos. Não importa quanto a situação está difícil, a vida complicada; a melhor resposta é cooperar, trabalhar junto, ser solidário. Quando isso acontece as coisas melhoram, as pessoas vivem mais e mais felizes. Os mundos da natureza e da cultura evoluem mais por cooperação que por competição. A atitude solidária é uma atitude amorosa, de apego e empatia entre irmãos, quando nos reconhecemos como iguais na condição humana. Foi o que o casal argentino encontrou em sua peregrinação. Mais cooperação, menos competição. É possível. O Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) divulgou os resultados de uma pesquisa realizada em todos os 645 municípios paulistas, a pedido da Assembléia Legislativa de São Paulo. Dela resultou a elaboração do IPRS ( Índice Paulista de Responsabilidade Social) que indica quanto a riqueza de uma região afeta a qualidade de vida dos seus cidadãos. Isso é medido através de indicadores como longevidade, escolaridade e renda. Em cada município foram computadas taxas de mortalidade perinatal, infantil, de adultos e idosos, taxas de alfabetização nas várias faixas etárias, matrículas escolares, remuneração média dos trabalhadores e modalidades de consumo. Com os dados em mão foram formados 5 grupos conforme os níveis de riqueza produzida na região e os indicadores sociais encontrados. O grupo 1 incorporou 81 cidades de altos indicadores sociais e altos índices de riqueza. O grupo 3, com 211 municípios, foi considerado o grupo justo; combinou baixos níveis de riqueza, mas com altos indicadores sociais. Os grupos 4 e 5, englobando 332 cidades, tiveram baixos índices sociais e baixa produção de riqueza. Encontrei Mococa no grupo 2, entre os 48 municípios paulistas que produzem riquezas, mas apresentam baixos indicadores sociais. São considerados municípios injustos porque distribuem mal o que produzem, gerando distorções graves e aumentando a concentração de renda. Produzem, mas não distribuem. Podemos dizer que neles há mais competição que cooperação, acumulo que redistribuição. E solidariedade pouca. Está bem firmado: uma cidade justa distribui sua riqueza de modo equilibrado. Mais importante ainda: boa qualidade de vida é questão de atitude não de mais riqueza. Pensemos nisso. Paulo Palladini
Escrito por Paulo Palladini às 19h27
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Todos os Cantos 293
Responsabilidade compartilhada Nas últimas semanas tenho refletido muito sobre a expressão responsabilidade compartilhada. Fixei-a melhor a partir do conceito usado pela Justiça nos casos de separação conjugal, em que pai e mãe continuam co-responsáveis pelos filhos. Um não transfere a responsabilidade para o outro; ambos a exercem em conjunção. A expressão aparece também nas áreas de educação e saúde. Passei a pensar em como estão organizados nossos serviços públicos de saúde, e resgatei algumas outras velhas idéias: descentralização, regionalização, hierarquização. Idéias como as defendidas por Franco Montoro, ao disputar o cargo de governador de São Paulo em 1982. Quando pode colocá-las em prática, já eleito, foi um choque e foi um bálsamo. Queríamos mudanças, lutamos por mudanças, e elas vieram no bojo das primeiras eleições estaduais livres e diretas. Auxiliado por secretários como João Sayad e José Serra, o governador Montoro implantou em São Paulo suas políticas baseadas em descentralização e participação. Mais tarde um forte movimento nacional culminaria com a criação do SUS – Sistema Único de Saúde. Antes disso a combinação de reivindicações populares e políticas governamentais levara à organização das AIS - Ações Integradas de Saúde - que procuraram compatibilizar serviços federais, estaduais e municipais entre si. Até então era possível encontrar dois postos de saúde numa mesma rua - um estadual, outro municipal - e o restante do bairro sem nenhum serviço. A descentralização aliada à regionalização permitiu reorganizar a assistência de acordo com as necessidades e capacidades locais. No interior de cada território os recursos foram realocados de acordo com o princípio da hierarquização. Imaginemos uma pirâmide organizada de baixo para cima, dos eventos mais simples para os mais complexos. Isso constitui uma hierarquia, porém, nesse caso, não uma hierarquia de poder, e sim uma hierarquia funcional. À complexidade dos problemas deve corresponder a complexidade dos métodos. Numa reunião, que organizamos no mês passado, na sede da Área de Saúde Mental das Obras Sociais Santa Luzia, discutimos a constituição da rede municipal de saúde mental. Pensamos em organizá-la de modo regionalizado e hierarquizado, cada instância exercendo seu papel, e compartilhando responsabilidades, não simplesmente transferindo problemas, como é comum acontecer. Desse modo o PSF – Programa de Saúde da Família – continuaria assistindo, no bairro onde atua, um paciente psicótico grave, que se encontra acolhido no Caps – Centro de Atenção Psicossocial. O PSF – serviço de menor complexidade - não transfere para o Caps – serviço de maior complexidade - a responsabilidade do cuidado. Ambos os níveis são co-responsáveis, compartilham a responsabilidade. Esta é, em resumo, a nossa proposta de rede social para Mococa. Paulo Palladini
Escrito por Paulo Palladini às 19h26
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Todos os Cantos 292
Os psicopatas A revista Veja apresentou, na edição da semana passada, entrevista com o psicólogo canadense Robert Hare, especialista num problema pouco considerado, mas cujos efeitos podem ser violentos: as psicopatias e os psicopatas. Ele estuda o tema há 50 anos, e chegou a elaborar uma escala para quantificar em graus a psicopatia de uma pessoa. Considerada um transtorno mental, a psicopatia caracteriza-se, não pelo sofrimento que o psicopata possa revelar, mas pelo sofrimento que ele é capaz de causar aos outros. Segundo Hare as principais características da psicopatia são: “ausência de sentimentos morais – como remorso ou gratidão -- extrema facilidade para mentir e grande capacidade de manipulação”. O leitor, certamente, conhece alguém assim: não está nem aí para os sentimentos dos outros, mente que não sente, está sempre jogando e manipulando. Um provável psicopata. Para meu mestre Anibal Silveira, as personalidades psicopáticas são condições endógenas por predisposição genética latente, caracterizadas pelo desvio conjunto das esferas afetiva ou conativa, e pela falta de subordinação da individualidade à sociabilidade. Isso quer dizer que a pessoa nasce com uma predisposição genética para o transtorno, e que ele abrange as esferas afetiva e conativa da personalidade, nunca a intelectual. Desse modo o psicopata tem uma inteligência normal e até acima da média. Nessa desordem os impulsos egoísticos preponderam sobre os sentimentos sociais. Por isso, o indivíduo não manifesta pelos outros nenhum daqueles sentimentos, que permeiam a vida social: respeito, consideração, aceitação, compaixão, empatia. Para eles não há moral nem lei, nem bem comum. Eles concentram em si o máximo do egoísmo. Segundo Hare a estimativa é de que 1% da população seja psicopata. Para cada 100 pessoas que encotramos ao acaso na rua, uma seria psicopata. Eles existem em todos os cantos da terra e em todos os extratos sociais. Hare defende que “ainda que vivêssemos uma utopia social, haveria psicopatas”. Não são as condições familais e ambientais, sociais e econômicas que determinam o aparecimento de um psicopata. “Os pais podem colaborar para o desenvolvimento da psicopatia tratando mal os filhos. Mas uma boa educação está longe de ser uma garantia de que o problema não aparecerá lá na frente, visto que os traços de personalidade podem ser atenuados, mas não apagados”, concluiu. Dado seu comportamento muitos psicopatas esbarram na lei e acabam se envolvendo com a Justiça. A legislação brasileira considera-os parcialmente responsáveis pelos seus atos. Eles entendem que o que fazem é errado, mas não conseguem agir de acordo com esse entendimento. Podem falsificar uma assinatura ou documento, sabem que isso é ilegal, mas fazem assim mesmo. Além disso não se importam com as consequências dos seus atos, nem para si, nem para os outros. Quando apanhados, mentem, põem a culpa em outrem, inventam uma desculpa qualquer. Se prejudicam alguém, não se importam. Sua frieza afetiva impede-os de sentir compaixão ou amor. Aliás, sobre isso, afirma Hare: “Um psicopata ama alguém da mesma forma como eu, digamos, amo meu carro – e não da forma como eu amo minha mulher. Usa o termo amor, mas não da maneira como nós entendemos. Em geral é traduzido por um sentimento de posse, de propriedade”. Paulo Palladini
Escrito por Paulo Palladini às 19h24
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